quinta-feira, 15 de julho de 2010

JORNAL CRUZEIRO DO SUL

TEATRO - [ 14/07 ]
Cia. Satélite inicia mostra sobre 15 anos de sua trajetória
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Dionisio Neto não quer mais saber de escrever. "Já falei tudo o que tinha para falar", declara o autor, que sacudiu o teatro brasileiro do fim dos anos 1990 com sua obra jovem e "suja". Seu negócio agora, ele aposta, é mostrar as peças que já fez. "Tenho que trabalhar pelos textos que existem. Remontá-los, levá-los a outros públicos." E é isso que ele concretiza na mostra "Cia. Satélite - 15 anos de Teatro", que começa nesta 5ª feira (15) sua programação.

O evento reúne novos e velhos trabalhos do coletivo. Será inaugurado com a leitura de "Desamor", texto inédito que Walcyr Carrasco concebeu para o grupo. Passará por montagens recentes, como "Desconhecidos", de 2007. Mas tem seu maior chamariz na oportunidade de relembrar as três obras que revelaram Dionisio: "Opus Profundum", "Desembestai" e "Perpétua", que, em breve, deve ser transformada em longa-metragem por José Eduardo Belmonte.

Foi em 1997 que o maranhense mobilizou o Festival de Curitiba com a sua "Trilogia do Rebento". Já era ator de Antunes Filho e Gerald Thomas. Tinha jeito de "enfant terrible" e chegou arrombando a porta da dramaturgia nacional com a sua fusão estranha de dois mundos: misturava a alta cultura às novidades do submundo contemporâneo, compunha uma miscelânea de favela com Godard, de Beatles com Shakespeare e Glauber Rocha. "A gente tem pânico de mofo. O teatro tem de falar dos sentimentos clássicos, mas também tem de falar para as pessoas que vivem agora", resume.

SERVIÇO:

SATÉLITE 15 ANOS. INFLAMÁVEL. (90 lugares). Rua Maria Borba, 87, 2533-8543. R$ 5. Até 15/8. Quinta-feira, 21h, leitura de "Desamor". A partir de sexta-feira: "Seios" (Maria Eugênia de Menezes - AE)

diário do grande abc

CULTURA & LAZER
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quinta-feira, 15 de julho de 2010 7:28
Cia Satélite comemora 15 anos
Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC
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Para celebrar seus 15 anos, a Cia Satélite - fundada pelo ator e dramaturgo Dionísio Neto - realiza mostra de repertório com apresentações, exposição fotográfica, leituras dramáticas e workshops. Tudo, a partir de hoje, em sua sede, o cabaré O Inflamável (Rua Maria Borba, 87, São Paulo. Tel.: 2533-8543).
"A companhia nasceu pela minha necessidade de escrever e interpretar um personagem que não existia em nenhuma dramaturgia que eu tinha visto até então, algo mais pop", conta Neto.
"Hoje, trabalhamos em três frentes. Uma delas é a encenação do que escrevo. Outra, a releitura de textos clássicos. A terceira é levar aos palcos novos autores, caso do novelista Walcyr Carrasco", completa.
Essas frentes serão exploradas no festival com apresentações de Seios - que faz parte da trilogia do amor, série de textos que Carrasco escreveu exclusivamente para a Cia Satélite -, Carta ao Pai, de Franz Kafka, e Desconhecidos, texto do próprio Neto.
Ainda, hoje, na abertura, a partir das 19h, será realizada a leitura dramática de Desamor, segundo texto da trilogia do autor global, que estreia em setembro. Em seguida, será aberta exposição de fotos de 25 trabalhos do grupo.
"A trilogia fala do lado obscuro do sexo, do submundo e da redenção. O Walcyr pega personagens undergrounds e mistura com tabus religiosos. Tem um estilo de texto e qualidade de desenvolver personagens que dificilmente se vê."
Carta ao Pai, que narra a correspondência que o traumático Kafka nunca enviou ao pai, preserva as características do texto, mas com levada moderna. "Gostamos de contemporaneizar clássicos. Respeitamos o dramaturgo, mas a parte cênica tem estrutura mais pop." A programação completa pode ser obtida no site www.companhiasatelite.blogspot.com

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

UOL - Entretenimento - Guia cultural SP
12/07/2010 - 09h00

Grupo comemora 15 anos com peças e oficinas

Endereço: r. Maria Borba, 87, Vila Buarque, centro, São Paulo, SP. Classificação etária: 16 anos.
As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Peetssa/Divulgação
Cia. Satélite comemora 15 anos com série de apresentações de teatro, incluindo "Perpétua" (foto); evento ocorre até dia 15/8
Cia. Satélite comemora 15 anos com série de apresentações de teatro, incluindo "Perpétua" (foto); evento ocorre até dia 15/8

Fundada pelo ator e dramaturgo Dionisio Neto, a companhia Satélite comemora 15 anos com um festival que, durante um mês, mostra o repertório do grupo, além de incluir uma exposição fotográfica, leituras dramáticas e oficinas.

Na quinta-feira (15), o cabaré O Inflamável, sede do Satélite, recebe a leitura do texto inédito "Desamor", de Walcyr Carrasco, e a exposição de fotografias que marcam o trabalho do grupo.

Até o dia 15 de agosto, serão encenadas três peças ("Seios", de Walcyr Carrasco; "Carta ao Pai", de Kafka; e "Desconhecidos", de Dionisio Neto) e nove leituras.

Informe-se sobre o evento

sexta-feira, 9 de julho de 2010

domingo, 26 de abril de 2009

OLERE OLARA CRITICA

Olerê! Olará!Passa o tempo e os solilóquios de Dionísio Neto, entremeados às suas narrativas, não perdem a força. Desde "Opus Profundum", eles são a prova dos nove de seu alcance como dramaturgo _e uma singularidade artística inusitada nestas praias."Olerê! Olará!", que evoca de modo tão consciente e aprofundado o teatro de revista, ainda lembra mais, ao menos para mim, aquela primeira e explosiva criação musical que aproximou teatro de hip-hop e da cena eletrônica.Como antes, nem tudo neste novo espetáculo dá liga, mas o que dá enche de prazer os sentidos todos. E são pelo menos três descobertas no palco deste novo O Inflamável, "cabaré" em plena boca do luxo, mas a duas quadras do colo do Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho.A dramaticidade de Jeyne Stakflétt na personagem da "neovedete" Elisabeth Vitória Régia I escapa de vez da revista, já perto do final, para entrar nas viagens maiores do raciocínio de Dionísio. É a apoteose, por assim dizer.Antes, Mayana Neiva como Carmen Rosa é a bela voz que garante ser este, de fato, um musical. E Giovanna Velasco, como Lulu Chuva de Prata no primeiro quadro e em outros, confirma que se trata de revista, revisão cômica da atualidade.

por NELSON DE SÁ
BLOG CACILDA

sábado, 4 de abril de 2009

São Paulo, sábado, 04 de abril de 2009
Próximo Texto Índice "Olerê! Olará!" traz de volta teatro de revista
"Samba-cabaré" dirigido por Dionisio Neto estreia hoje
Fotos Divulgação
Três das vedetes do espetáculo, que atuam, cantam e dançam DA REPORTAGEM LOCAL
A paródia ao noticiário, os números musicais virtuosísticos e, claro, a escalação de belas vedetes fizeram a glória do teatro de revista em meados do século passado. A antiga receita será testada com as plateias de agora pela Cia. Satélite em "Olerê! Olará", "samba-cabaré" que estreia hoje. O autor e diretor Dionisio Neto, 37, prefere essa nomenclatura por conta das dimensões de seu espetáculo. "Se fosse teatro de revista, teria de ter grandiosidade, demandaria 40 bailarinos, uma orquestra. Aqui, vamos fazer com cinco neovedetes e três músicos [o grupo Cha-Cha-Cha]." Aos ingredientes tradicionais da revista, ele acrescenta algumas "subversões". A apresentação, por exemplo, fica a cargo de uma drag queen, Milanta Plus. O antigo quadro da imprensa, recheado de comentários sobre as manchetes da hora, aqui ganha o auxílio da internet -é de lá que as personagens Malvina Young, Benedita Waldvogel e Imparcialina Gabriela pescam notícias. "Buscamos o ineditismo partindo de um gênero conhecido, clássico. Mas não queremos repetir o passado. O que acontecem muito com companhias que fazem teatro de revista [hoje] é que são saudosistas, soam datadas", avalia ele. Os pontos de apoio da dramaturgia são monólogos das neovedetes sobre relações conjugais, frustrações e morte. A observá-las estarão um palhaço e um certo Bárbaro que Não lhe Adora, crítico teatral de nome muito semelhante a uma colega carioca conhecida pelo rigor. KafkaO tom solar de "Olerê! Olará!" passa ao largo do outro trabalho que Neto inicia agora. A partir do próximo dia 8, ele abre ao público o processo de criação de um espetáculo baseado em "Carta ao Pai", de Franz Kafka (1883-1924). No texto, que jamais chegou a seu destinatário, Hermann, o escritor tcheco expurga fantasmas de um passado marcado pelo autoritarismo paterno. Neto vive Franz e Hermann (em alucinações do escritor). A montagem abre espaço para a enfermeira que trata do primeiro, tuberculoso. (LN)
OLERÊ! OLARÁ! Quando: estreia hoje; sáb., às 20h; dom., às 19h; até junho Onde: O Inflamável (r. Maria Borba, 87, Consolação, tel. 2533-8543) Quanto: R$ 20 Classificação: não indicado a menores de 12 anos ENSAIO ABERTO DE "CARTA AO PAI" Quando: estreia quarta, dia 8/4; qua., às 20h30, e sáb., às 19h; até 29/4 Onde: área de convivência do Sesc Santana (av. Luiz Dumont Villares, 579, tel. 2971-8700) Quanto: R$ 2 Classificação: não indicado a menores de 14 anos

sábado, 28 de março de 2009

streia dia 4 de abril


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Olerê! Olará!

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Companhia Satélite, de Dionísio Neto, volta aos palcos em espetáculo no formato de teatro de revista e chanchadas.

Olerê! Olará!_1

 

Como nos velhos tempos

 

A Companhia Satélite, de Dionisio Neto, que em seus 13 anos sempre foi nômade, acaba de ganhar sede própria na Rua Maria Borba, 87, nas imediações da Praça Roosevelt, o que está se configurando o off-broadway paulistano. A Sede, chamada O Inflamável, abrigará um café-teatro, onde acontecerão diversos eventos culturais.

Dando início a esses eventos, Dionisio Neto (depois de uma avassaladora participação na novela A Favorita, da Rede Globo) volta aos palcos como escritor e diretor do Samba-Cabaré Olerê! Olará!, parte final do projeto Balangandans, divulgado pela imprensa no segundo semestre de 2008.

Olerê! Olará! é um samba-cabaré inédito escrito e dirigido por Dionisio Neto inspirado em Teatro de Revista e Chanchadas brasileiras. Parte integrante do projeto Balangandans, patrocinado pela Lei de Fomento ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo, que também engloba a Sede Satélite, e um vídeo-documentário com distribuição gratuita. 

O espetáculo tem como base a estrutura clássica do teatro de revista, chanchadas, e seus personagens (prólogo, alegorias, clowns, mestre de cerimônias, crítica, quadro da imprensa, apoteose e, é claro, vedetes!). Escrito por Dionisio Neto tem no elenco a Companhia Satélite:Jeyne Stakflett, Mayanna Neiva, Giovana Velasco, Maíra Dvorek, Sabrina Orthmann, Milanta Plus, Claudia Juliana, Claudio Agullo.

Em formato de espetáculo de cabaré com 5 vedetes contemporâneas que cantam, dançam e atuam em inéditos monólogos de prosa-poética que falam sobre o amor, a morte, a preguiça, as brigas conjugais, as paixões avassaladoras, o luxo, a alegria de viver e o glamour - sempre sob ótica feminina - um palhaço e uma mestra de cerimônias que dão o toque de humor e a leveza do entretenimento.

Olerê! Olará!_2
Olerê! Olará!_3

 

Os figurinos de Fábio Namatame são em estilo futurista retro, com inspiração em figurinos clássicos de cabaret alemão e francês bem como no Carnaval Brasileiro, companhias de Teatro de Revista Brasileiras e filmes da Atlântida. 

Com música ao vivo tocada pelo Trio Cha-Cha-Cha – percussão (Nil Arantes), violão (Felipe Mihran) e teclado (Edu Berigo) – com direção musical de Naná Rizzini, o espetáculo apresenta releituras de músicas clássicas de Chico Buarque, Cazuza, Caetano Veloso, Cartola, Martinho da Vila, marchinhas de carnaval, em versões "transamba", ou seja, transformando em samba outros gêneros musicais como o rock, a MPB, etc., O espetáculo inova ao apropriar-se da estrutura clássica do Teatro de Revista em uma leitura contemporânea que não almeja repetir o passado e sim partir dele, reverenciando-o e contribuindo para o resgate de sua memória, contudo não de forma saudosista.

 

Repertório:
Dinheiro é Bom – marchinha de Carnaval – autor desconhecido
Tô Voltando – Paulo César Pinheiro/Maurício Tapajós
As Rosas Não Falam – Cartola
Samba e Amor – Chico Buarque
Mal Necessário – Mauro Kwitiko
Coração Vagabundo – Caetano Veloso
Todo Amor Que Houver Nessa Vida – Frejat/Cazuza

 

Serviço:
Olerê! Olará!
Sede Satélite – Sala Perpétua 

Local: Rua Maria Borba, 87 – Consolação 
Data: estreia dia 04 de abril de 2009
Horário: sábado, 20h; domingo, 19h
Recomendação: livre 
Duração: 1h40
Preço: R$ 20,00
tel (11) 2533 8543
www.companhiasatelite.com

quinta-feira, 5 de março de 2009

TEATRO

Folha promove hoje leitura de "samba-cabaré"

DA REPORTAGEM LOCAL

Sucesso na primeira metade do século 20, o teatro de revista deixou a cena na década de 60. Sacá-lo do limbo com nova roupagem é o que propõe o espetáculo "Olerê! Olará!", de Dionisio Neto, 37, lido hoje, às 20h, no auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, Campos Elíseos; grátis).
O dramaturgo e diretor apresenta sua criação como "samba-cabaré". Uma das principais diferenças em relação à revista tradicional é a dramaturgia, diz ele: "Aquela linha clássica de vilão e mocinha dá lugar a monólogos com prosa poética sobre brigas conjugais, vida e morte".
Neto observa que, se perdeu espaço nos palcos, a revista resistiu em outras vitrines. "Noventa por cento dos programas de auditório são pura revista: de Chacrinha a Hebe, passando por "CQC"."
Quem quiser assistir à leitura deve ligar para 0/ xx/11/3224-3473 ou enviar um e-mail para eventofolha@grupofolha.com.br, informando nome completo, RG e telefone. A censura é livre.

quarta-feira, 4 de março de 2009

São Paulo, quarta-feira, 04 de março de 2009 

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TEATRO 
PEÇA "OLERÊ! OLARÁ!" TEM LEITURA AMANHÃ

A Folha promove amanhã, às 20h, leitura da peça "Olerê! Olará!", escrita e dirigida por Dionisio Neto, com base no teatro de revista. Interessados em assistir à leitura, da qual participam o elenco e os músicos do Trio Cha-Cha-Cha, podem se inscrever de graça até amanhã pelo tel. 0/xx/11/3224-3473 ou poreventofolha@grupofolha.com.br. Informar nome, RG e telefone.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O INFLAMÁVEL VEM AÍ LALALALALALA!

WORKSHOP COM LUCIA SEGALL E KATIA BARROS

a coreógrafa Katia Barros observa as neovedetes da COMPANHIA SATÉLITE
Let´s dance!

O INFLAMÁVEL!



Lucia Segall em workshop.



LIFE IS A CABARET!



Nestas semanas as neovedetes da Companhia Satelite fizeram workshops de dança, clown e actor´studio com as excepcionais Lucia Segall e Katia Barros.

Dia 5 de março no auditório da Folha de S. Paulo haverá uma leitura musical de "OLERÊ! OLARÁ!", de Dionisio Neto.

Semana que vem, na quarta feira, haverá uma pré-inauguração do cabaret O INFLAMÁVEL devido ao retorno dos alunos do Mackenzie que lotarão a Rua Maria Borba.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

2009 vem com tudo!

Voltamos a toda com o projeto BALANGANDANS. O TRIO CHA CHA CHA está formado com violao, teclado e percussao, na brilhante direcao musical de Nana Rizzini e semana que vem passaremos um geral para a equipe de professores de canto, clown, actor´s studio, e dança.

É uma maravilha poder ter sua própria sede e trabalhar, trabalhar, trabalhar!

O ensaio é aberto, pode vir das 14hs as 19hs na rua maria borba 87 - centro - perto do mackenzie.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

ENSAIO GERAL DE OLERE! OLARA!

A BATERISTA NANA RIZZINI ASSUME A DIREÇÃO MUSICAL DO SAMBACABARÉ.
MILANTA PLUS ARRASA EM SEUS IMPROVISOS PÓS MTV.

DIONISIO NETO COORDENA WORKSHOP DE REPERTÓRIO DE PINUPS E DIVAS.

COMPANHIA SATÉLITE UNIDA JAMAIS SERÁ VENCIDA. E QUE VENHA 2009!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

ENTREVISTA DIONISIO NETO

Blog do Repique
09.12.08
'Novela é o RPG do inconsciente coletivo' diz ator
Categorias: Lançamento, Teatro, Livro, Fique de Olho, Entrevista, Performance
O bate papo que virou entrevista. Dionísio Neto – o nome não poderia ser outro para esse autor, diretor e ator de teatro e também de cinema e recentemente de novela - fez o Tito, uma participação em A Favorita, de barba cheia e com cara de mau. Essa trajetória toda culmina com Dionísio inaugurando sua própria sala de teatro em São Paulo, enquanto ensaia novo espetáculo, uma chanchada repaginada para o século XXI.Do underground para a Globo ele comenta: “Brasileiro assiste novela. Desde minha parentada no Maranhão até os porteiros do meu prédio e taxistas do bairro, para eles, antes eu era alguém, coitado, que estava tentando ser ator, apesar dos meus quase 20 anos de profissão. No Brasil ator é quem faz novela. Ponto.” O Repique conversou com o moço para saber mais:Dionísio, por que ter um espaço de teatro próprio?Minha companhia de teatro, a Satélite, existe há 12 anos. Durante todo esse tempo sempre fomos ciganos. Ensaiamos em cozinhas, conventos, faculdades, clubes... Há doze anos isso era divertido, mas com o crescimento dela ficou impossível não ter uma sede própria. Muito do nosso acervo se perdeu. No nosso mais recente espetáculo –‘Desconhecidos’ - ensaiávamos em um convento e ficávamos com medo de o frei entrar e parar o ensaio. Enfim, era desumano. Por isso a necessidade da sede própria, que ainda é alugada, mas em breve será própria mesmo.Mas São Paulo não tem salas de teatro suficiente?Tem, mas faltam espaços para espetáculos que queiram ficar em cartaz por mais de três meses. Na nossa sede poderemos ficar anos em cartaz.Conta um pouco como será a Sede Satélite.A Sede Satélite abriga um cabaré - O Inflamável, que tem um bar, porque só com o dinheiro da bilheteria não vai dar para pagar os custos. Atrás do palco há a Sala Perpétua que é para ensaios e apresentações intimistas. Não há no Brasil um cabaré barroco moderno como o nosso. Isso é fato. É um café teatro com a capacidade para 90 pessoas, bem intimista. Muitos artistas já manifestaram o desejo de tocar lá. Chico César foi o primeiro. E muitos outros virão. Onde fica?Ficamos perto da Praça Roosevelt, do Mackenzie, Tusp e SESC Consolação, enfim, a off-Broadway paulistana. E qual vai ser o 1º espetáculo a entrar em cartaz? Chama Olerê-Olará. O nome é uma alusão ao grito do samba. É um show de variedades com vedetes, drags e música ao vivo. São cinco divas que monologam sobre o amor, a paz, a feminilidade e a alegria de viver, regadas a samba e muito humor. É um samba-cabaré inspirado em chanchadas e no teatro de revista, com coreografias, figurinos espetaculares, mas não é uma revista nos moldes antigos, porque antigamente, antes da TV, as revistas eram mega-produções com 100 artistas em cena. Nós somos 12. É mais humilde, mas não menos alegre e divertido. É entretenimento puro, meu espetáculo mais popular sem dúvida. Com estrutura de quadros?São vários quadros, um deles é o da Imprensa, onde há três jornalistas - a Malvina Young, a Imparcialina e a Benedita Woldvogel e elas comentam noticias das mais diversas fontes, desde tragédias da natureza até fofocas de celebridades. É hilário. Falando em fofoca de celebridades, por que você acha que o público se interessa tanto pela vida privada dessa gente? É tipo uma terapia coletiva. O público elege ícones para no fundo falar de si próprio. É natural que seja assim.E a novela das oito? Curtiu sua participação?Foi um chamado fantástico que tive da Rede Globo. Um convite do Ricardo Waddington, que quis me contratar. Nem fiz teste nem nada. Ele já conhecia meu trabalho no cinema. Foi uma participação de um mês. Já acabou. Meu personagem existia só para colocar o personagem da Giulia (Gam) de volta na trama. Mas foi marcante. Pelo menos nas ruas as pessoas não param de me perguntar quando eu voltarei a Favorita. Ao que parece não voltarei mais, pois meu contrato era só de dois meses. Você curtiu fazer novela? Ainda mais na Globo...Amei fazer novela, me achei muito ali. É bem diferente. É um tipo de RPG do inconsciente coletivo do povo brasileiro. O maior barato. Fique de olho: a Sede Satélite inaugura em janeiro (Rua Maria Borba ,87 – Consolação – São Paulo). E o espetáculo Olerê-Olará entra em cartaz em março/2009. (www.companhiasatelite.blogspot.com)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

transamba

Transamba e Caserta!
25/07/2008 2:55 pm
Caetano, da Itália, continua a refletir sobre a concepção da Obra em Progresso:
"transamba - de trans + samba; nome de um novo gênero de música criado artificialmente (mas nem Deus sabe quão orgânica e necessariamente) no Brasil. Trans, prefixo de origem latina, significa: além de, através, em troca de. Samba, possivelmente de origem quimbunda, é um tipo brasileiro de música de dança, lamento e sabedoria. O trans de transamba para mim é como o trans em transcendência, transfiguração, transvaloração, transformista; mas também como em trânsito, transação, transporte, transa; e ainda como em transparência, translúcido, translumbramento; ou em transbordar, transviado, transtorno, transpiração. Ou seja, transamba é palavra que já vem dançando entre os sentidos. Mas entre principalmente esses sentidos. É o samba além do samba. Um samba desencaminhado e excessivo, mas sublime e superior. Isso é o que a palavra me diz. As músicas que eu (ou outrem) fizer sob essa rubrica poderão chegar mais ou menos longe dessa meta. Como, de resto, cada exemplar de samba de qualquer época chega mais ou menos perto de ser o que o samba surgiu para ser.
O título do disco que resultará da obra em progresso não será "Transamba". Diferentemente de alguns, adoro a palavra. Ela me veio de repente, e logo ligada à lembrança da palavra "transvanguarda", que ouvi e li tanto nos anos 80 e que designava um movimento italiano na área das artes plásticas. Por causa disso - e por causa de minhas passagens pela Itália nos últimos anos - tenho vontade de pôr no disco um título em italiano. Embora não pretenda cantar nada em italiano.(...) Enfim, alguma coisa que tire de esquadro toda a referência ao samba, ou aos transambas ou parasambas ou metasambas que a Banda Cê e eu vamos apresentar. Mas a palavra "transamba" aparecerá em algum lugar. Houve que não gostasse. . Pelo menos num primeiro momento houve em alguns uma rejeição com cuja razão não atinei: eu gostei muito de "transamba" logo que a palavra me ocorreu. Mas aos poucos fui ouvindo a anaminese de cada um: tinham um vago medo de que eu estivesse sendo artificioso e esquematicamente marqueteiro. Mas era mesmo um medo vago. Ninguém dizia explicitamente. E ele era bem menor do que a mera desaprovação estética da palavra. Eu, como recebi essa inspiração como um acontecimento poético, desconfiava - e desconfio - de que o problema é mais o samba do que o trans. Na própria música há isso. Quando propus o projeto a Pedro Sá formulei a pergunta: será que samba dá samba? Porque é assim: ou bem nos voltamos para o samba e o cultivamos (e aí somos vistos com carinho pelos que cuidam da nossa cultura) ou nos afastamos dele e de toda a carga de fracassos do Brasil que ele carrega (como nos afastamos do catolicismo ou da umbanda por descrença histórica e nos aproximamos dos cultos neo-pentecostais) e buscamos nos sentir integrados na mescla de estilo caipira norte-americano com estilo crioulo norte-americano que ganhou o nome de rock'n'roll nos anos 50. Isso e todos os desdobramentos disso (do reggae ao disco, do rap ao grunge, do house ao punk...) são magnetos, pólos de atração reais e vitais: servem no mínimo de referência obrigatória, mas na verdade de critério de julgamento. O samba não teria salvação. O mero reconhecimento do seu balanço amarra a imaginação e a sensibilidade, desanima a alma que quer ser livre e nova. Então foi e é um desafio enfrentar essa empreitada. Um aprofundamento da pesquisa com o rock independente (ambiente "nobre" da criação de música popular hoje) esboçada em "Cê", sem contaminação de samba, seria mais estratégico, talvez mais saudável, no esforço de afirmação de uma produção brasileira de ponta que se imponha no mundo. Mas as coisas não acontecem assim. Mesmo porque eu tradicionalmente sou mais de sugerir do que de realizar: minhas limitações muiscais não permitiriam mesmo que fosse eu próprio a perfazer o que sonho para o criador de música brasileira. Então é transamba. Isso vai servir para engrossar o caldo.